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domingo, 2 de fevereiro de 2014

A HISTORIA DO FUNK CARIOCA CONTADA PELOS MC`S

Reunião de Mc's veteranos no comércio popular da Uruguaiana resgata as histórias dos bailes e do funk da década de 1980. Os relatos serão contados no livro A lenda do funk carioca, de Marcelo Gularte, que aborda o início dos bailes da década de 1970 até os dias de hoje. Gularte também é autor do documentário Mc Magalhães, uma lenda viva do funk. 02 DE FEVEREIRO DE 2014 AS 16:37
Favela 247 – Toda terça-feira, das 17h às 20h, o cineasta Marcelo Gularte, autor do curta Mc Magalhães, uma lenda viva do funk, tem um compromisso marcado com compositores de rap e MC`s do Rio de Janeiro. O encontro acontece no comércio popular da Uruguaiana, no centro da cidade. Lá eles se reúnem para lembrar os bailes da década de 1980, contar experiências pessoais sofridas com a criminalização do funk e discutir o momento atual do ritmo marcado pela "ostentação". As lembranças são o ponto de partida para o novo trabalho de Gularte: A lenda do funk carioca, um livro que conta a trajetória do funk desde o início dos anos 80. O lançamento deve sair neste primeiro semestre, segundo o autor. "Venho mapeando o funk dos anos 1980 até os dias atuais. No livro, falo do baile do ginásio do Madureira em 1989 que marca o início do festival de galera. Era o baile mais importante do Rio. Depois conto o processo de nacionalização do funk, que começa com o disco Funk Brasil em 1989, a era das 'melôs', produzido pelo Dj Marlboro”, comenta. As histórias da massa funkeira serão contadas em 300 páginas. Para isso, o autor revela que passou um ano estudando, entrevistando e escrevendo: Mergulhando neste universo, acabei dando uma maior profundidade ao tema, resgato a época dos bailes da pesada que aconteciam no Canecão, em Botafogo, no início dos anos 1970 com Ademir Lemos e Big Boy – os discotecários que, reconhecendo o sucesso por terem reunido 4 mil pessoas –, começaram a percorrer os clubes da Zona Norte. Enfim, o funk é muito rico. O ano de 1992, por exemplo, é bem explorado no livro: tem a Rio 92, arrastão, invasão do Carandiru, impeachment do Collor, a morte da Daniela Peres. E o funkeiro acusado de violento! Me aproprio de todos estes acontecimentos para contextualizar o funk", explica. Foi nessa busca dos casos, das datas e dos detalhes que Marcelo Gularte acabou articulando os encontros da Uruguaiana. Ele conta que Mc Naldinho, autor da célebre música “Dói, um tapinha não dói”, ajudou a firmar a rede, entrando em contato com os MC`s. Na roda de conversa, eles compartilham momentos em comum de uma época que funkeiro era considerado criminoso: "Eles que pegavam ônibus pirata, sofriam os ataques dos grupos rivais, lutavam para fazer o melhor grito de galera, agora terão estes registros em literatura. O encontro é uma forma de fortalecer esta memória do funk e os laços entre a galera. É o rolezinho da massa funkeira!", define.